Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

DIAS DA RÁDIO X - Enviado Banal - Tubo de Ensaio - TSF


B. Estúdio:
Bom dia, neste Enviado Banal de hoje vamos desde já para o Panteão Nacional onde estou eu próprio. Olá Nogueira, como é que estão as coisas aí no Panteão?
 (RUÍDO DE VOZES DE FUNDO COMO NUMA REUNIÃO COM ALGUMAS PESSOAS)
Repórter (falando baixo): Estamos aqui ao vivo, nisso somos os únicos, no Panteão Nacional onde estava, até à pouco, a decorrer uma reunião de condóminos deste condomínio ultra privado.
(SOM VOLTA AO NORMAL - DE AGORA EM DIANTE SEMPRE ASSIM ALTERNANDO OS AMBIENTES)
B Estúdio: Nogueira. já  sabes dizer qual foi o motivo para a reunião ter sido interrompida?
Rep: Sim. Segundo percebi, a reunião não começou bem. João de Deus, um dos mais antigos moradores deste edifício e o responsável pelo condomínio durante este ano, foi acusado por Marechal Carmona, inquilino do segundo sepulcro esquerdo a contar da entrada,  de ter escrito mal a palavra – acta. Acusação grave, uma vez que estamos perante o inventor da cartilha maternal. Houve cadeiras e ossos pelo ar mas os ânimos serenaram.
B Estúdio: Mas segundo sei, não por muito tempo?
Rep: Exactamente. Infelizmente, meia hora mais tarde, o mesmo  Marechal Carmona acusou a porteira, Dona Amália de, e passo a citar - não  baldear correctamente os cenotáfios do Camões e do Vasco da Gama e de não ter colocado no túmulo do Teófilo Braga o autocolante para não deixar publicidade.
B Estúdio: Imagino que todas essas acusações tenham levado a algum mal estar na sala.
Rep: Imaginas bem. Porque, Almeida Garrett, amigo pessoal de Dona Amália, indignado com a atitude do Marechal, acusou-o de ser um tirano e de não separar as embalagens. O autor de Frei Luís de Sousa e Folhas Caídas,  ameaçou, também, regressar à  Rua Saraiva de Carvalho em Campo de Ourique, sua última morada, caso o ex-Presidente da República Portuguesa não fizesse um pedido de desculpas à Dona Amália. As coisas estão complicadas.
B Estúdio: É uma grande desilusão. Supostamente esta reunião era para dar as boas-vindas a Aquilino Ribeiro e acaba desta forma . No meio de toda esta confusão, como é que está o Aquilino?
Rep: Eu falei com ele há pouco. E sabes como é o Aquilino. Ele tem uma  linguagem que se caracteriza fundamentalmente por uma excepcional riqueza lexicológica e pelo uso de construções frásicas de raiz popular, cheias de provincianismos. Resumindo: os palavrões não lhe fazem confusão.
Publicada por OMal às 03:51
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