Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

UM 632 E UM ARROZ CHAU-CHAU

José Rodrigues dos Santos lançou, nos Estados Unidos, o Codex 632 - The Secret Identity of Christopher Columbus - que foi publicado em língua inglesa na William Morrow, uma das principais chancelas do grupo HarperCollins, mas várias cenas do livro foram cortadas nomeadamente as  cena de comida , sexo,  sexo e comida, e as partes chatas de investigação. Quem olhe agora para o livro, e tenha bons olhos,  fica com a sensação que talvez haja ali qualquer coisa entre a capa e a contra capa. 

Segundo José Rodrigues dos Santos, disseram-lhe que na América era desastroso colocar nos romances personagens a comer. Eu quando ouvi isto, disse - como?! - como se não tivesse ouvido bem, coisa que obviamente o José Rodrigues não podia fazer porque ninguém ia acreditar.

Como é que é possível uma justificação destas?!  Se os americanos não gostam de descrições de pessoas a comer os dez primeiros lugares do top de livros vendidos deviam estar preenchidos com Biografias do Ghandi. Tiram a parte da comida? Nem quero ver o que ficou do evangelho segundo Lucas, que relata a última refeição a sério de Cristo. Alguém vai dizer: “desculpe mas vamos ter de tirar a ceia. - Mas isso é a base da eucaristia! – Sim, mas passamos logo à frente e as regras ficam escritas num guardanapo que eles descobrem por acaso”.
A literatura e a gastronomia (e também a alcoolemia), andaram muitas vezes de mão dada. Quem não se lembra dos scones com geleia dos livros dos Cinco, ou as belas refeições das aventuras de Aníbal Lecter? O que seria do Banquete de Platão, ou das Refeições para Festas de Maria de Lourdes Modesto, se cortassem a parte da comida?
E o Eça? Esse grande macaco. O que seria dele sem as descrições do comer e do beber? O pesquisador A.C. Matos, que organizou o Dicionário de Eça de Queiroz, contabilizou 2.650 itens culinários diferentes, citados em livros. Clássicos como Os Maias e Primo Basílio chegam a apresentar descrições de refeições de cerca de  26 páginas. De tal modo que, se for a uma livraria comprar os Maias, há quem pergunte – é para embrulhar ou é para comer já?
Uma refeição pode ser de vital  importância numa obra literária. Um exemplo clássico dessa relação é a que é feita pelo escritor francês Marcel Proust, onde o sabor do bolinho aromatizado, leve, em formato de concha, é o responsável por mostrar o caminho na Busca Do Tempo Perdido. Outro exemplo, ainda mais clássico e com ar mais novo que o anterior, é aquela vez que o Paulo Coelho teve uma intoxicação alimentar com conquilhas que o impediu de escrever um livro.
 

Publicada por OMal às 00:50
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