Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

SETE PALMOS DE CARA


Esta noite celebra-se (eu tinha escrito "celebrasse", mas avisaram-me...... eu sou bom é a Matemática)   o Dia das Bruxas por esse mundo fora e em nove lares em Portugal. O Dia das Bruxas não tem tido muito êxito no nosso país  porque se perderam os velhos rituais como, por exemplo:  a queima das bruxas.  Há muito, muito tempo quando quem mandava era a Santa Inquisição, a esta hora, estavam a juntar madeira para fazer uma fogueira no Marquês de Pombal para queimar bruxas vivas. E não havia divisões. Não havia nem Benfica nem Sporting, as pessoas juntavam-se no Marquês, e era tudo do mesmo clube, que era um clube que gostava de queimar bruxas vivas. Eram outros tempos. Hoje, se a Maya fosse queimada viva no Marquês tenho a certeza que as opiniões dividiam-se.  Voltando ao ponto de partida. Em Portugal, o Halloween não tem sido muito bem acolhido, excepto em algumas franjas da sociedade;  que vê com bom agrado a ideia de ter uma criança a bater-lhes à porta a pedir gostosuras ou travessuras (ou ambas). Não adianta encher as montras com abóboras a fazer de monstros, porque os portugueses olham para aquilo e pensam em sopa. Que bela sopa que a minha mãe fazia com aquela abóbora. Se há coisa que os portugueses não acham graça é a brincadeiras com comida. Olhem, por exemplo: a Carmen Miranda, que por causa do chapéu teve fugir para o Brasil.  E nós também não gostamos de misturar mortos e festa. Em muitos países a seguir a um enterro há comes e bebes, em casa da família do que bateu as botas. Coisa impensável para nós -  "A Tia Marília morreu e eu estou cheia de vontade de comer um bacalhau com natas". Ou: "passa-me aí a bavaroise de manga que eu ainda não consigo acreditar que o primo Lacerda já não está entre nós." O que faz sentido, para nós, é o som do ranger de uma carpideira e não pessoas a bater com talheres. A morte é uma coisa muito séria e para O efeito já temos o Dia de Finados. Que é um nome tão bonito. Muito melhor que o Dia dos Que Bateram a Bota. Ou o Dia dos Que foram Fazer Tijolo. Dia de Finados é suave. Parece que acabou a pilha às pessoas. Ou que fecharam para balanço eterno. É um bocado como o Volto Já  que está nas portas de lojas que faliram.  E no dia de finados o que é fazemos? Vamos ao cemitério, porque fica num jardim muito bonito com crianças, pandas e balões. Ui, nem pensar! No cemitério não entram pessoas com sinais exteriores de felicidade.  Pessoas que estejam constipadas e que calcem mais de 47 estão proibidas de entrar porque podem ser confundidas com palhaços. Flores no cemitério só daquelas meio murchas, mal cortadas e enfiadas em jarras de casquilha deprimente. Em Portugal, todos os cemitérios têm um homem, muito feio, cuja missão é cortar todo o vegetal que nasça e tenha uma cor diferente de cinzento. Portanto, senhores que vendem aranhas, teias, bruxas, fantasmas e outros produtos do género,  o melhor que têm a fazer é colocar uma placa por baixo das bruxas a dizer – és a minha bruxinha,. E na teia de aranha, podem colocar – Que saudades tuas. Esta noite é que é!-  e assim sucessivamente e despachar a mercadoria em meados de Fevereiro.

Publicada por OMal às 22:34
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